terça-feira, 26 de abril de 2011

“Estava ali por muito tempo. Sentada. Olhava para os lados com certa frequência, como quem procura o que lhe falta. Os pertences, agora distantes, já nem eram mais um problema. Havia se habituado a estar ali, sempre imóvel, às vezes inerte aos acontecimentos que a vida lhe trazia. Condescendente.

Ia aceitando o que o vento carregava, ora coisas boas, oras coisas confusas e negativas, até que o vento me trouxe você. Podia te ver sempre chegando ao longe, rodopiando como se estivesse em um redemoinho. Me instigava aquelas voltas e a forma sempre avassaladora com o qual passava por mim. Levava junto consigo, um pedaço de mim a cada volta, e eu ali, imóvel, ia perdendo agora, sentidos, vontades, sentimentos e horizontes. Girava, arrancava, voltada, tirava, levava, me roubava. O vazio foi trazendo algo menos nobre, mais certo, determinado, objetivo. O poder de dar voltas agora era meu, com uma praticidade assustadora até para grandes homens de negócios, sempre frios e calculistas.

Continuo aqui, sentada. Imóvel, é verdade. Mas, quando eu decidir levantar e sair do lugar, meu querido, nem olhe pra trás. Só verá a porta entreaberta e um leve vento por vir. Já parti antes mesmo de você chegar. Só o meu pensamento vale”.


Da linda Paula Balduíno, que foi mega fofa em me enviar o conto completo da frase que eu havia postado dela^^

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