quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A cólera urgente

Bárbara Medeiros

Sempre me senti velha. Me sinto e sou assim desde o momento em que nasci e me percebi. Cheguei a essa conclusão após ter lido aquela frase: "temos a idade que sentimos". Hoje, aos 21, tenho rejuvenescido. Me sinto com 40, mas tenho meus espasmos de 15.
O espantoso é que ao lado dele sempre me senti exatamente com a idade que deveria, aquela que me foi dada por meus pais no momento de minha concepção. Não que tenha sido algo premeditado, mas foi o que acharam o certo. Eles - os pais -  sempre fazem o que acham o correto a ser feito.
Acho engraçado fazer tantos rodeios acerca do assunto que quero tratar, mas talvez seja coisa da idade. Enfim.
Hoje acordei com um misto de calmaria e um certo pavor misturado com ansiedade. Não dormi e mal respirei. Quando me despertei, e tive a oportunidade, peguei o telefone e liguei. Sabia que o medo, o pavor, a angústia, a felicidade, o amor estavam naquela ligação, e por isso fui hesitante.
Falas ríspidas e limpas sem traço algum de sentimento por sua parte. Nesse momento eu percebi: por todo esse tempo faço uma corrida sem sentido para te ter por inteiro ao meu lado. Os únicos momentos em que te sinto ali, tenho uma necessidade urgente e amarga de te manter com o corpo e a mente entrelaçados à mim. Durante todo esse tempo em que "convivemos" vivo cercada por um pavor tendo atos rápidos e impensados tentando chegar a esse fim.
Sempre achei que o amor ideal fosse vagaroso e lento. Mas sempre tento me atrelar aos seus caprichos, manias e velocidades ao mesmo tempo em que tento me manter honesta com como me sinto, o que sou e como me olham.
Nunca quis a aprovação de nenhum dos outros que passaram por mim. Mas me sentir em você - seu / meu corpo, ações, vícios, paixões - é um vício tão latente quanto irracional.
Desde que nos propusemos a estarmos juntos fui aterrada por um medo de não te ter mais. Minha loucura de viver por todo esse tempo dentro de uma "crônica de uma morte anunciada" me inibe e me expõe das formas mais erradas possíveis.
Queria ser capaz de contruir junto a ti um amor vagaroso, daqueles que não se sente a necessidade de verbalizar. Mas, como diz Roberto, "por isso eu corro demais, corro demais só pra te ter, meu bem". Não consigo tirar de minha cabeça dilacerada o pensamento de que se essa urgência for cessada, jamais te terei novamente.

Um comentário:

Geisi disse...

Vc tem um estilo meio Satine (Fugalaça) e meio Bella Swan (Crepúsculo) de narrar - gostoso de ler!

Mto de se pensar a parte: 'viver por todo esse tempo dentro de uma "crônica de uma morte anunciada"'

Viver assim é quase como viver segurando a respiração.

Boa Babita!